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Entradas categorizadas em ‘comunicação’

Faculdade, haha

Julho 28, 2009 · Deixe um comentário

Caramba,

internet é um poço sem fundo de tudo que deixamos lá… impressionante. Outro dia me vi como porta-voz de uma empresa que trabalhei pra uma revista internacional. Só porque era o único assessor que sabia falar inglês.

E, agora, no meio desse vaguear digital, eis que me vejo mais novo, com mais cabelo e dente mais fora do lugar =D
 E uma série de textículos (alguém notou o x aí atrás?) que tinha feito na época…

Sirvam-se, caso queiram comida com prazo de validade vencido!

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Palavras que dão cadeia

Julho 10, 2009 · 1 Comentário

Uma palavra só pode ser pejorativa em duas circunstâncias: ou ela é pejorativa em si mesma, como um palavrão ou um apelido insultuoso, não cabendo usá-la jamais em sentido neutro; ou, ao contrário, trata-se apenas do uso pejorativo de uma expressão que, noutro contexto, poder ser totalmente neutra e inofensiva.

Em qual dois casos está a palavra “abortista”? Em nenhum dos dois. Se bem que, para o Supremo Tribunal Federal, isso não é tão claro assim (MINHA FRASE).

Uma rápida pesquisa no Google mostra 1.600.000 casos de emprego da palavra “abortista” para qualificar os adeptos do aborto e/ou da sua legalização. Excluem-se desse total os exemplos de uso do mesmo termo em revistas e jornais impressos, livros, debates orais, conferências, aulas e conversações do cotidiano, que elevariam o cômputo para várias centenas de milhões, sobrepujando o número de pessoas existentes no Brasil.

A partir do momento em que o Supremo Tribunal Federal acatou a sentença que condenara o Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz pelo crime de chamar uma adepta do aborto de abortista, os demais casos de emprego do termo no mesmo sentido passam automaticamente a ser crimes. Cabe portanto às autoridades a escolha entre punir todos os seus autores – isto é, a população nacional em peso, excluído o modestíssimo contingente dos militantes pró-aborto que jamais tenham usado a palavra proibida (o que não é o caso de todos eles) -, ou então deixá-los todos impunes e castigar discricionariamente um só, o Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz.

Se optar pela primeira alternativa, aquele egrégio tribunal terá se igualado ao Dr. Simão Bacamarte, superando-o apenas nas dimensões da sua megalomania, de vez que o Alienista de Machado de Assis encarcerou somente os habitantes da vila de Itaguaí, ao passo que Suas Excelências o terão feito com a quase totalidade dos brasileiros e, de quebra, com algum turista lusófono – português ou angolano, digamos – que tenha a imprudência de desembarcar nestas plagas sem primeiro informar-se das proibições vocabulares vigentes no local.

Na segunda hipótese, já não será um tribunal de justiça, e sim um comitê de aplicação seletiva de injustiças politicamente convenientes.

Nas duas eventualidades, estará desmoralizado – e, como não há logicamente uma terceira, não vejo como escapar à conclusão de que já o está.

Suas Excelências, depois de tantas outras que as precederam em postos legalmente habilitados a esse tratamento honorífico, na Presidência da República, no Senado, na Câmara dos Deputados, nas assembléias estaduais e no próprio STF, terão demonstrado, uma vez mais, que a excelência de um cargo não se transmite sempre – ou quase nunca – à pessoa do seu ocupante.

Certa vez, como eu elevasse a minha voz num bate-boca com um general embrulhão, ele exigiu que eu respeitasse a sua farda.

- Respeito-a, como não?, retruquei. – Por isso mesmo espero que ela o vomite o quanto antes, para não andar por aí com essa vergonha por dentro.

O referido enfiou a viola no saco, e eu, que felizmente jamais o vira fardado, não sei o que fez desde então, pois nunca voltei a vê-lo em indumentária nenhuma, ou desprovido dela.

Diante da atitude dos juízes para com o Pe. Lodi, sinto-me tentado a esboçar uma analogia entre a farda e a toga, mas deixo isso para depois. Por enquanto, limito-me a constatar que, além do paradoxo lingüístico-jurídico acima apontado, Suas Excelências meteram-se noutro ainda pior ao endossar a premissa adotada pelo tribunal inferior, que considerou “pejorativo” o termo “abortista”.

Para que fosse pejorativa em si mesma, seria preciso que houvesse outra palavra, neutra, eufemística ou elogiosa, que designasse o mesmo objeto sem as conotações negativas da primeira. Como o próprio Pe. Lodi observou, os juízes que o condenaram foram totalmente incapazes de citar um só termo alternativo que nomeasse, sem as supostas intenções pejorativas, os adeptos do aborto e do abortismo.

Na segunda hipótese, seria preciso reconhecer que o termo “abortista”, em si, nada tem de pejorativo, que apenas são pejorativos certos usos dele, como acontece, por exemplo, com a palavra “político”, que, em certos contextos, pode ser a designação neutra de uma ocupação humana e, em outros, quase um palavrão. Admitido isso, seria preciso em seguida provar que o emprego do termo pelo Pe. Lodi teve intenção pejorativa, ou seja, que ele chamou a militante pró-aborto de abortista no “mau” sentido e não no “bom”.

Para complicar ainda mais as coisas, a prova de intenções pejorativas, na segunda hipótese, é praticamente impossível, de vez que, se não há um termo alternativo, há no entanto um termo correlato, “aborteiro”, que designa o autor de um crime e é muito anterior, no vocabulário corrente, ao surgimento da expressão “abortista”, pelo simples fato de que a prática de abortos antecede historicamente a existência de um movimento organizado em defesa dela. A palavra “abortista” surgiu, precisamente, para distinguir entre a prática e a doutrina, subentendendo, com toda a evidência, que todo aborteiro é necessariamente abortista mas nem todo abortista é aborteiro, e excluindo, portanto, de toda suspeita de crime de aborto os meros defensores da legalização do procedimento. Esse termo constitui, assim, precisamente o oposto de um pejorativo: ele existe para proteger, não para ofender.

Como nem os juízes do tribunal inferior nem os do STF examinaram estas questões e nem mesmo as mencionaram, mostrando-se totalmente inconscientes dos tremendos problemas semânticos envolvidos na criminalização de uma palavra, a única conclusão possível é que lavraram sentença sobre um caso do qual não entenderam nada, não procuraram entender nada e nem mesmo suspeitaram de que nele houvesse algo a ser entendido antes de ser julgado.

Se foi assim, e não vejo logicamente como poderia ter sido de outro modo, então é claro que Suas Excelências de ambos os tribunais prejulgaram o caso com um desleixo imperdoável em ocupantes de cargos de tão alta responsabilidade, acrescido de uma pressa indecente em ceder às exigências histéricas de um grupo de pressão queridinho da mídia.

Se, por não haver instância judicial que o transcenda, o Supremo Tribunal é de fato supremo, também o são as iniqüidades que venha a cometer. Contra elas, a única esperança é o Senado Federal, a quem cabe, pela Constituição, Art. 52, processar e julgar os juízes daquele Tribunal. Os senadores, porém, só se mobilizarão para isso se pressionados pelo eleitorado, especialmente pelas organizações religiosas. Terão estas ainda a coragem de agir em defesa de um sacerdote vítima de iniqüidade?
 
Diário do Comércio, 7 de julho de 2009. – Olavo de Carvalho

Categorias: comunicação · vida

Habemus Radio

Abril 7, 2009 · 4 Comentários

Durante a missa de Domingo de Ramos participei da minha primeira transmissão ao vivo pela Rádio Vaticano. Lá na Basílica de São Pedro, do lado da janela em que o papa aparece assim que é eleito: a janela do Habemus Papa! Muito legal!

Durante a transmissão, usamos muitas coisas do site www.jmjbrasil.com.br para explicar a história da Cruz e do Ícone de Nossa Senhora que João Paulo II deu aos jovens para as Jornadas Mundiais da Juventude. Achei muito legal acompanhar tudo e ver como o site está ajudando pessoas a conhecerem as JMJs.

Eu fiz a leitura de quase todo o Evangelho de Domingo, acho que fui bem, não errei muito =)

Ah, outra coisa bem legal! Conheci o Pe. Federico Lombardi, diretor da Rádio Vaticano, da TV Vaticano e assessor de imprensa da Santa Sé. Quando uma das repórteres e locutoras do programa brasileiro foi me apresentar a ele, dizendo “Este aqui é o novo estagiário, Tiago…” ele cortou e falou: “Tiago Miranda, conheço ele.”

CARAMBA!!! Sou famoso!! Na verdade, a memória dele que é muito boa. Porque é ele quem faz a seleção dos currículos. O meu eu mandei em setembro do ano passado. Então, haja memória. Mesmo assim achei legal.

Vi um tanto de salas e corredores internos do Vaticano mto legais. Até uma portinha secreta que dá acesso a uma parte do Vaticano até a Capela Sistina. Muuuito legal!!!

Ah, e ainda peguei um raminho (o finalzinho de um ramo, na verdade) que um cardeal usou durante a celebração!

Categorias: comunicação · religião · viagens
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Carta de um amigo à Veja

Janeiro 30, 2009 · Deixe um comentário

Abaixo uma carta de um amigo meu sobre a matéria de capa da revista Veja desta semana sobre o aborto.

Sou feliz porque tenho amigos assim. E triste de ter colegas de trabalho assim.

“Senhor Editor,
é intrigante que as preocupações de saúde pública no nosso país sejam tratadas com uma abordagem tão superficial, sempre a reboque de um pano de fundo econômico, imediatista e individualista, deixando de lado o aspecto propriamente humano do problema.

Faz-se a leitura do homem como fosse apenas um corpo, e que o sentido da vida seria não morrer de uma doença. Este caso do aborto parece ser sintomático: olha-se de maneira isolada para o problema das mortes de mulheres que abortaram clandestinamente e apresenta-se como solução legalizar o aborto… bem linear e objetivo: não deixar morrer quem está sangrando.

Mas basta ampliar a perspectiva e ver que o panorara objetivo é este: autorizar a morte de um ser humano por outro ser humano. E os efeitos disso não passam em branco. Marcam profundamente.

Por que não se vai a fundo para saber como anda a qualidade de vida daquelas mães que abortaram seus filhos? De como lidam com este ato e suas lembranças? Se suas vidas voltaram a fluir normalmente? Por que não se estudam e comentam as estatísticas de suicídio e depressão?

Talvez porque estes dados sejam demasiado humanos, e por isso mesmo complicados, difíceis de estudar, diagnosticar e trabalhar – sabe como é: tudo muito subjetivo e pragmático. Por isso nossos burocratas de plantão, quando querem fazer algo em tema de saúde pública, preferem resolver os problemas de forma bastante objetiva: esterelizar e abortar.

É mesmo um jeito fácil de trabalhar os números: eliminando-os. Mas se os números são seres humanos… a redução dos índices vira fachada para o extermínio, mesmo que tão socialmente aceito como no nazismo. Permaneço do lado da criaturinha abortada – que não é um problema, muito menos um problema de saúde pública, mas um problema de humanidade, ou de sua falta.

Ivan Allegretti
Advogado em Brasília.
OAB/DF 15.644
SAS quadra 3 bloco C sla 1309
Brasília, DF”

Categorias: comunicação

Intimidade dos papas…

Dezembro 15, 2008 · 4 Comentários

Este fim de semana fui numa palestra do fotógrafo dos últimos seis papas (de Pio XII até Bento XVI), Arturo Mari. Ele é, como era de se esperar, um senhor bem idoso, mas muito jovem de espírito. Gente boa que só, ele falou um pouco sobre cada papa, dando o contexto histórico em que cada um esteve à frente da barca de Pedro.

Em especial, ele falou de episódios não muito conhecidos da vida de João Paulo II. Deve ter sido emocionante passar 27 anos da vida convivendo diariamente com um dos maiores santos do século XX. Sim, porque se eu ainda tivesse dúvida (não, eu não tinha) da santidade do Papa Woytila, depois da palestra do Arturo não teria mais.

Ele contou, entre outras coisas, como está explicado cientificamente que a trajetória da bala de Agca foi modificada. O projétil passou a 2 mm (sabe o que é isso? é o espaço entre esta palavra e esta, ou seja, nada). Ele tava a 50cm do Papa naquela hora. Imagina o que ele sentiu ao ver seu “papai”, como ele mesmo se referiu ao papa, sofrendo aquilo.

Outro episódio muito legal foi a visita de João Paulo II a um leprosário na Coréia (os doentes ficavam em uma ilha, isolados e esquecidos do mundo).  Ele se ajoelhou, rezou e, depois, beijou a cada um dos leprosos que estavam lá. Além disso, o Arturo contou como João Paulo II enfrentou o Sendero Luminoso, no Peru, os mafiosos italianos, expondo os crimes que eles cometiam. Contou como Gorbachev pediu conselhos para o Papa para começar o fim do comunismo e uma missa por sua mulher quando ela já estava em seu leito de morte.

Ao todo, a palestra durou uma hora e meia, ou um pouco mais. Mas eu queria que ela tivesse demorado outra uma hora e meia. Depois de ouvir tudo aquilo só esperar que eu esteja em Roma para a beatificação de Karol Woytila!

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